Monday, March 19, 2007

E se Eu Gostasse Muito de Morrer


E se eu gostasse muito de morrer


Título do primeiro romance de Rui Cardoso Martins , roteirista, cronista do jornal português , Público, apresentador do programa satírico Contra-Informação, uma das imagens de marca da RTP , e um dos autores de Conversa da Treta (para rádio, televisão e teatro), foi também co-autor da série dramática( ambos portugueses).
O romance faz uma investigação informal sobre o suicídio, sempre partindo de situações inesperadas ou corriqueiras, utilizando-se de várias formas narrativas como cartas, notícias de jornal , fragmentos de poemas, depoimentos ou listas, consegue um bom efeito fragmentário.
“É um livro complicado, uma espécie de comédia negra, passado no Alentejo e trata do mistério do suicídio”, explicou o autor do livro. Segundo ele, tratar do fenómeno do suicídio é “um mistério que se manterá até ao final dos tempos como algo muito complicado e muito cruel”.
“Fico de boca aberta com a quantidade de livros que se publicam e que, pelos vistos, são lidos”, declarou, frisando também que “precisamos de bons escritores, de boa literatura”.“Não há livro que se publique em Portugal que não seja um grande romance, são todos grandes romances – na contracapa. O pior é o que está lá dentro”, disse Lobo Antunes, acrescentando que não é crítico literário, “nem sequer um intelectual”.
O escritor António Lobo Antunes saudou com “alegria” a qualidade do livro , contrapondo-o “à imensa enxurrada de mediocridade” que diz fazer-se em Portugal.

“Eu fico sempre pasmado com a quantidade de livros que se publicam e fico de boca aberta com a satisfação destes autores que, quando vendem, pensam que puseram os portugueses a ler e é obvio que isso é uma treta, porque são maus livros”, afirmou Lobo Antunes.
Lobo Antunes, elogiando a obra de Rui Cardoso Martins, não poupou críticas ao panorama actual da literatura: “É extraordinário como aqueles que escrevem querem fama, querem descer a Avenida da Liberdade e acenar, enquanto que a literatura precisa é de paciência, orgulho e solidão”.
“Há uma altura em que a pessoa tem de largar o trapézio para os outros e custa-me especialmente quando são meus amigos, porque há o risco de se ‘estamparem’ no chão. Mas o Rui agarrou o trapézio”, rematou Lobo Antunes.

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